Sobre o Beijo na Boca

5 de Janeiro de 2016

Sobre o Beijo na Boca

É bem provável que quem inventou as palavras tenha pensado nos poetas que viriam depois. Tomemos por exemplo a palavra Beijo. O sufixo “jar”, de Beijar, rima com Cortejar, Gracejar, Desejar, Almejar, Latejar, Gaguejar, Sacolejar e por aí vai. Em minha modestíssima opinião, foi tudo de caso pensado.


Brincadeiras à parte, o beijo está no seleto grupo dos privilegiados que carregam consigo ao longo dos séculos, e de maneira muito peculiar, o profano e o sublime como justificativas de existência. A funcionalidade primitiva do beijo surge da necessidade da mãe passar o alimento à boca do filho assim como fazem certos animais, principalmente os pássaros. Ou seja, o sujeito já nasce aprendendo a beijar e ao longo da vida vai se deparar com diversos tipos de beijos: respeito, formalidades culturais, carinho e os libidinosos!


Agora vamos às curiosidades. Primeiro, algumas informações científicas. De acordo com pesquisas realizadas há alguns anos, pela Dra. Martine Mourier da Faculdade de Bobigny, um beijo com paixão, com aquela coisa toda de língua pra lá e pra cá, movimenta 29 músculos ao mesmo tempo e a pressão que os rostos exercem um sobre o outro chega a 12 quilos! Além disso, são transferidas mais de 250 bactérias pela saliva. Eita bacteriazinha boa, né?!?


Historicamente, a primeira representação da existência do beijo, remonta a 2500 a.C. em esculturas e murais do palácio de Khajuharo, na Índia. Muito tempo depois, os indianos deram outra grande prova que são grandes beijoqueiros, e no século IV d.C, publicaram o famigerado Kama Sutra, dedicando um capítulo inteiro à arte de beijar. Num dos trechos diz: “não há duração fixa ou ordem entre o abraço e o beijo, o aperto e as marcas feitas com as unhas e os dedos”. Hum, entendeu? O amor está se lixando pro tempo!


E na categoria cultura, se os indianos nos ensinaram a beijar, Hollywood assimilou muito bem. Em 1926, o ator John Barrymore, interpretando o galã Dom Juan, lascou 191 beijos em diversas atrizes ao longo do filme. Marca que ainda não superada nem no cinema, e talvez nem mesmo em micaretas espalhadas pelo Brasil. Por isso tudo fica claro que, aquele frio na barriga, aquela coisa gostosa que sentimos quando estamos beijando alguém, aquele momento mágico não é à toa. Tem muitos séculos por trás de um simples beijo, e da próxima vez que for tascar o beijo em alguém, lembre-se da grande responsabilidade de dar continuidade a essa história toda!